Denise – capítulo 2

No meio da tarde, recebo mais uma mensagem de Rodrigo. Desta vez acompanhada de um “print” de uma das fotos de Denise.
_ Falei com ela. Marcamos no Ilha Café, às 7. Consegue chegar?
_ Claro, nos encontramos lá, respondi.
_ Estou ansioso, completou.
_ Tô ocupada, bjo, bjo, te amo, finalizei, frustrando Rodrigo da continuidade do assunto.

Às 7, como combinado, chegamos ao café. Saí do carro e logo avistei Rodrigo deixando o dele. Ambos com as roupas de trabalho, sem mesmo um banho para conhecer Denise, pensei. Seria fácil reconhecer nossa fotógrafa, afinal “varremos” o Instagram dela na noite anterior. E lá estava ela, sentada numa das últimas mesas do café, bem próximo ao balcão de atendimento. É claro, não nos reconheceu de imediato. Mas à medida em que íamos nos aproximando, abriu um sorriso.
Denise era bem simpática pessoalmente. As fotos, na maioria das vezes sérias, não revelavam esta característica. Ela era baixa e um pouco acima do peso, mas não menos charmosa por isso. Cabelos claros e os braços cheios de tatuagens. Vestia uma camiseta da banda AC/DC – caiu no gosto de Rodrigo, um grande fã de rock – e uma calça jeans.

_ Olá, Liz, olá Rodrigo, nos recebeu, com beijinhos no rosto.
_ Estava curiosa para conhecê-los! Confesso que fiquei surpresa com a ligação de vocês, ontem.
_ Por que curiosa? Perguntei.
_ Como não? Estava eu em minha casa iniciando um trabalho de fotos de cupcakes e seu marido liga querendo fazer fotos suas sensuais! Confesso que pensei em passar o trabalho para um colega, mas parece que vocês fazem questão em fazer comigo.
_ Sim, seu trabalho é incrível, Digo respondeu.
_ Vamos perdir três cafés, disse Denise?
_ Claro sem problema, o meu com leite, por favor, respondi.
_ Susi, por favor, dois expressos e um com leite, por favor? Disse Denise, em tom alto, já íntima da garçonete.
_Vem sempre aqui? Disparou Rodrigo.
_ Sim, quase todos os dias. Gosto de trabalhar neste lugar. Sento, peço meu café, abro meu notebook, cuido das minhas fotos e aproveito para olhar as pessoas.
_ Olhar? Os clientes?
_ Sim. Gosto de entender o comportamento deles. Como se vestem, o que consomem, o que dizem. Não sei, mas acho que ajuda no meu trabalho.
_ Entendemos… ou não! Disse, caindo na risada.

Denise abriu um sorriso largo.

_ É, eu sou meio doida mesmo. Não liguem.
_ Eu te entendo, emendou Rodrigo.
_ Acho que sou um pouco assim também. Dá pra perceber isso nas fotos. Sua tentativa de enxergar o que nem mesmo os modelos das fotos enxergam.
_ Pronto já me ganharam! Quando começamos? Disse Denise, dando uma sonora gargalhada.

Eis que chega Susi com os cafés.

_ Desejam mais alguma coisa?
_ Não, muito obrigada, resnpondi!
_ Mas me contem, por que as fotos?

Nos olhamos por um instante, como se estivéssemos na duvida de quem tomar a iniciativa de responder. Rodrigo assumiu o controle.

_ Bem, primeiro é importante que você saiba que nos amamos muito. Somos muito cúmplices e verdadeiros um com o outro. E temos uma relação muito transparente.
_ Vocês tem uma relação aberta? Transam com outras pessoas?

Silêncio… E nós dois nos olhando de novo, apavorados com a conclusão da fotógrafa. Meu coração veio parar na boca. Será que estava tão na cara assim???

_ Ah gente, não precisa responder. Pela cara que vocês fizeram já deu pra entender, disse Denise.
_ Eh, já tivemos algumas poucas experiências, falei.
_ Você tem cara que gosta de ver Liz em situações apimentadas, Rodrigo. Acertei?
_Eh, gosto. Sou meio “voyeur”. Além disso sou apaixonado pelo corpo da Liz, é sexy, lindo! Adoro vê-la em langeries pequenas, sensuais. Adoro vê-la nua também. Ela é perfeita.
_ E ele é um grande mentiroso, disparei, um pouco envegonhada.
_ Você gosta de ver ela nua sendo penetrada por outro, Rodrigo? Gosta de ver ela com outra mulher?
_ É, eu gosto sim. Tivemos experiencias boas, mas ainda não vi ela com outra mulher de fato, respondeu. Mas… como teve tanta certeza disso?
_ Como lhe falei, eu observo as pessoas. E bem. Você tem cara de safado. Pervertido.

Eita porra, agora ela tem bola de cristal, pensei.

_ Algum problema em relação ao trabalho? Questionei.
_ Nenhum, nenhum, isso só facilita, concluiu Denise, disparando em minha direção um sorrisinho maroto.
_ Mas enfim, como imaginam estas fotos? Locação, roupas. Somente ela? Vocês dois juntos?
_ Somente ela, não me sairia bem em frente às cameras, brincou Rodrigo.
_ Vejo na TV as modelos posando para fotos e gostaria de tentar. Mas com relação ao restante da pergunta, não fazemos a mínima ideia, conclui. Queremos deixar na sua mão. Mas adoramos originalidade e criatividade.
_ Certo vou pensar em alguma coisa. Me contem: imaginam quanto eu vou cobrar por isso?
_ Não mesmo, disse Digo.
_ Mil e duzentos é justo? Posso dar uma parcelada…

Rodrigo parou para pensar um pouco.

_ Te pago seiscentos antes do trabalho e os outros seiscentos quando nos entregar o material, que tal?
_ Fechado, sem problema. Show!
_ E que tal encerrarmos a conta e vocês conhecerem o estúdio? É perto daqui. Estão com algum comoromisso?
_ Estamos não, vamos Digo? Disse.
_ Está de carro, Denise?
_ Não tenho carro, infelizmente.
_ Então façamos assim: deixe seu carro aqui amor e vamos em um só. Na volta passamos aqui para pegá-lo.

(continua…)

Uma opinião sobre “Denise – capítulo 2

  • outubro 30, 2017 em 9:20 am
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    Gostei muito..se quiserem um Bull experiente do Rio de Janeiro..

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